
Não sou contra um curso superior, mas acho certificações desnecessárias.
Eu nem sempre pensei assim, durante um período da minha vida achei que se quisesse crescer profissionalmente dependia muito de uma boa faculdade e de certificações. Cheguei a cursar um ano e meio de Ciência da Computação, depois larguei.
Hoje acredito que um diploma de faculdade só é importante se tiver um objetivo muito especifico para o seu uso, como criar uma carreira em uma multi-nacional, por exemplo.
Já faz 10 anos que trabalho com tecnologia, e neste tempo trabalhei para grandes empresas, sempre através de uma consultoria, e nunca me questionaram sobre um diploma. Mas se eu desejasse ser contratado diretamente por alguma destas empresas, com certeza isto seria necessário.
Achei muito interessante a opinião de Jason Fried, da 37signals sobre este assunto. Quando questionaram a 37signals sobre a importância que eles davam para a educação formal em sua equipe, ele respondeu (em uma tradução livre):
Ao decidir quem vamos contratar, não levamos muito em conta a educação formal. Na verdade, creio que apenas três das oito pessoas na 37signals tem ensino superior. Alguns passaram algum tempo na faculdade e decidiram que isto não era para eles. Alguns nem começaram.
Nós nos preocupamos mesmo é com a inteligência, a curiosidade, a paixão, personalidade, motivação, o gosto, intuição, habilidades de escrita, bem como a capacidade de tomar decisões inteligentes. Algumas dessas qualidades podem ser melhoradas na faculdade, mas acreditamos, que na maioria dos casos elas são melhor aprendidas através da experiência prática. Além disso, não acreditamos que bom gosto pode ser ensinado - ou você tem ou não. Acreditamos que bom gosto é uma das qualidades mais importantes ao se contratar alguém.
Claro, que não somos contra o ensino superior, apenas não damos tanta atenção assim a ele. Estamos mais interessados na experiência, trabalhos e ponto de vista de alguém do que em seus diplomas, grau ou notas. A educação formal é provavelmente o último requisito em nossa lista na hora de contratar alguém para trabalhar na 37signals.
Eu costumo dizer o seguinte: Se você planeja uma carreira em uma grande e conservadora empresa, e sonha em se tornar um diretor ou presidente, você precisará de alguns diplomas, com toda a certeza. Mas se você é como eu e sonha com a sua própria empresa, ou deseja trabalhar nas novas empresas, como a 37signals, diplomas são apenas papel, o que conta mesmo é a experiência.
11 Comentários em "Curso superior é tão importante assim?"
Concordo quase que integralmente com você. Acredito que a necessidade de ter curso superior depende do perfil da pessoa, bem como dos seus objetivos profissionais. O único ponto que eu discordo de você é que mesmo em empresas grandes e tradicionais, você pode conseguir um emprego se curso superior. No entanto, neste caso, será obviamente bem mais difícil, sendo que o profissional terá que ter bastante experiência e reconhecimento no mercado para ter chance de trabalhar neste tipo de empresa.
Uma curiosidade é que este assunto foi discutido recentemente no fórum do GUJ, e inclusive eu aproveitei esta discussão e postei sobre o tema no meu blog. Caso esteja interessado em acompanhar a discussão original:
http://www.guj.com.br/posts/list/73250.java
Olá,
Eu concordo em algumas partes, mas descordo em outras. Com certeza, uma formação academica não é o único responsável pelo profissional que esta pessoa virá a se tornar, mas, negar que ele exerce um papel importante nisto, ao meu ver, seria simplista por demais.
A academia exerce um papel importante no sentido de pesquisar novas tecnologias que serão absorvidas por este mercado cada vez mais ávido por inovações tecnológicas. Ter este tipo de formação é interessante pois, justamente, faz com que os horizontes deste profissional se expandam fazendo com que, muitas vezes, ele encontre nos laboratórios de pesquisas as soluções para os problemas reais que ele enfrenta no dia a dia. Um grande exemplo disso são os dois fundadores do google que, na época, eram alunos de Doutorado e desenvolveram o algorítimo de Pagerank, responsável pela qualidade do sistema de buscas deste gigante da internet,
A Aliança de uma formação acadêmica com a experiência, além de “inteligência, a curiosidade, a paixão, personalidade, motivação, o gosto, intuição, habilidades de escrita, bem como a capacidade de tomar decisões inteligentes.” são fundamentais para formar um profissional diferenciado para este mercado cada vez mais exigente.
Claro que para toda regra existem exceções e sempre existirão pessoas que encontrarão caminhos diferentes para chegar ao mesmo lugar que é o sucesso e uma boa colocação profissional.
Grande abraço!
Da mesma forma como Sergey Brin e Larry Page começaram o Google durante um doutorado, temos Steve Jobs que nunca terminou a faculdade.
Nestes dois casos (é minha opinião, e eu posso estar enganado) o que contou mesmo é curiosidade, motivação, personalidade e paixão.
Conheço muita gente que é formado e alguns até com pós-graduação (inclua aqui alguns que estudaram comigo), e que honestamente não tem uma carreira bem sucedida do meu ponto de vista.
Não acho que um curso superior seja desnecessário, desde que feito de forma consciente, sabendo que mesmo com o diploma na mão, você só será alguém se tiver outras qualidades importantes. Se a pessoa acha que a universidade pode lhe ajudar a adquirir qualidades assim, este é o caminho.
Um diploma sozinho não faz uma pessoa melhor ou pior, mas qualidades como as citadas acima, fazem a diferença, com ou sem diploma.
O que o elomar disse é verdade: no nosso meio de TI experiencia profissional (projetos entregues, nomes de grandes empresas) e, claro, muito networking, acabam pesando mais. Não significa qualidade. Conheço diversos consultores de ‘renome’ que só tem isso: nome. Porém, ganham muito mais que eu
mesmo os projetos deles saindo completamente do custo, escopo, tempo e qualidade.
O mundo acadêmico deveria ser como o Vitor disse: um local onde novas tecnologias e inovações são pesquisada. Porém, pesquisa no Brasil é complicado. Claro que existem bons pesquisadores e pesquisas importantes, mas em comparação com outros países, chega a parecer uma piada de mau gosto: existe muito pouco e os pesquisadores são muito mal remunerados - o que os empurra para o mercado de trabalho.
Em termos de mercado de serviços como um todo, um diploma per se, pesa muito pouco. Conhecimentos de administração são mais importantes pois as pessoas precisam considerar a si próprias como micro-empresas, gerir capitão, planejar, etc. Em termos técnicos, estamos usando o os outros criaram, não estamos criando nós mesmos. O máximo que fazemos são trabalhos derivados.
Nos Estados Unidos, as pessoas me parecem mais empreendedoras por natureza, com ou sem formação acadêmica. Lá fora, as pesquisas acontecem às toneladas. Pessoas com especialização realmente são muito mais reconhecidas. Como um todo é um nível acima do que conhecemos hoje.
Dentro das próprias empresas, temos gerentes, diretores, todos formados, mas eles não estão muito preocupados com tecnologia. A área deles é outra: química, manufatura, comércio, eletrônica, etc. Como sempre digo o ‘core business’ é outro. Tecnologia é um acessório obrigatório. Eles não querem saber de inovação, a maioria quer o arroz com feijão. E para fazer o arroz com feijão, o diploma é menos importante: eles querem saber se você realmente sabe o que vai fazer, ele quer que você repita o bom desempenho que teve no concorrente. Um recém-formado não tem essa experiência ainda. Eles não querem um pesquisador, querem um copy & paste.
Fábricas de software ajuda menos ainda, nivelando para baixo todo mundo. Além das já sabidas dificuldades de ser empreendedor no Brasil a menos que você faça parte de um lobby, de um grande grupo, que tenha muito networking entre empresas. Começar do zero aqui é quase impossível. Poucos conseguem começar e poucos conseguem sair de um nicho pequeno.
Em termos de aprendizado, minha recomendação é sempre a mesma: em vez de buscar especialização apenas em tecnologias (certificados, doutorados), faça cursos de administração e finanças. No longo prazo será mais importante ser um empreendedor do que um programador. Mais ainda: entenda das adversidades especiais desse nosso país: impostos e mais impostos, burocracia e mais burocracia. Se você tem um contador e um advogados que são seus amigos de confiança, tanto melhor, você vai precisar deles.
Existe um lado da formação acadêmica que é pouquíssimo comentado e que merece atenção. Esse lado é o desenvolvimento do pensar científico, que consiste em dominar o desenvolvimento e a aplicação de métodos que reduzem imensamente a probabilidade de ocorrerem erros na atividade profissional.
O exemplo citado pelo Akita em que ele disse: “Conheço diversos consultores de 'renome' que só tem isso: nome. Porém, ganham muito mais que eu
mesmo os projetos deles saindo completamente do custo, escopo, tempo e qualidade.” é reflexo disso, ou seja, os consultores em questão tem conhecimento, tem experiência, mas não tem metodologia, fazendo com que cada projeto feito por eles deixe margens para que ocorram novos projetos, ou seja: No fundo eles trabalham por tentativa e erro, e quem paga o pato quando eles erram são os clientes.
O outro extremo da equação é que muitas vezes as pessoas que buscam uma carreira acadêmica acabam não desenvolvendo aptidões práticas, se tornando por vezes pessoas mais preocupadas com o método empregado para realizar um dado trabalho do que com o pragmatismo e a viabilidade da sua execução.
O ideal é ser metódico e ao mesmo tempo pragmático. Não adianta nada ser uma pessoa que é 90% dedicação e apenas 10% planejamento e vice-versa.
Já andaram escrevendo por aí que o melhor hoje é ser generalista e não especialista como se pregava a tempos atrás. Pois então, em que ajudaria “não ter” títulos ou uma carreira acadêmica?
Durante os últimos dois anos eu atuei como gerente de projetos em uma empresa multinacional, e na minha equipe de desenvolvedores tinha alguns com formação academica e um cara com pós-graduação e MBA.
Este cara sempre me ajudava com seu conhecimento em gestão. Mas porque eu era o gerente, se tínhamos um cara muito mais preparado na equipe? E olha que estou longe de ser O CARA. O fato é que eu tinha mais experiência que ele, e ele simplesmente não se enquadrava no perfil de liderança. Para a empresa isto era mais importante do que os diplomas.
É como eu disse no artigo, se você tem um plano bem estabelecido e um curso superior vai lhe ajudar, vá em frente. Mas sem qualidade básicas como honestidade, paixão, curiosidade, personalidade e motivação (coisas que se aprendem na universidade) o diploma é apenas um pedaço de papel.
Só faz sentido ingressar em uma universidade se for com planejamento, caso contrário é perda de tempo. É como o cara de tecnologia que cursa direito, administração ou marketing. Este cara está pensando no futuro, talvez ele queira ser um gerente, ou queira adquirir um conhecimento especifico para quando abrir o seu negócio. Neste caso, faz muito sentido.
Mas 99% dos que entram em uma universidade hoje nem sabem porque estão cursando determinada matéria. Algumas pessoas que estudaram comigo (Ciência da Computação) nem sabiam usar um computador antes de entrar na universidade. Com que base eles escolheram aquele curso?
A minha opinião é um pouco parcial, acho que no Brasil infelizmente ter curso superior cai bem no currículo, eu me formei em ciencia da computação e por todos os empregos que passei fui questionado sobre minha formação, inclusive no meu atual emprego.
Mas acho que a capacidade vai da pessoa mesmo, faculdade não prepara ninguem pro mercado de trabalho na nossa área, eu mesmo não fiz a faculdade pra aprender, pq na época eu já era programador, fiz mesmo por obrigação, e o mesmo é válido para certificações, quem garante que o programador X ou Y é expert só por causa duma sigla???
Concordo plenamente com você, Carlos. Estou fazendo faculdade de ciência da computação, mas não escondo que meu único objetivo é o diploma, para apresentar a quem quer que o exija.
Estou em meu primeiro emprego (conseguido graças ao networking, pois sem recomendação jamais me dariam sequer a chance de concorrer ao cargo), e vejo lá vários casos de gente que é melhor cuspindo palavras bonitinhas aprendidas superficialmente na faculdade/pós que apresentando produtividade real.
Boa parte dos cursos de ensino superior (em tempo: me limitando aqui ao país) serve apenas para montar operários de fábrica de software, que seguem cegamente uma única metodologia aprendida. Falta ensinarem a pensar, a ter senso de crítica, a compreender. É triste ver esses diplomas tão valorizados, principalmente quando chamados de ciência da computação. E repito: faço parte da dança exclusivamente porque o mercado exige, pois não posso ficar contando com a sorte de encontrar sempre empresas que sabem avaliar uma pessoa pelo que ela é em vez de pelo que ela conseguiu aproveitar estudando à véspera de provas.
[...] Dando seqüência ao post de ontem. [...]
Cuidado! algumas áreas sim, uma faculdade não faz muita falta, como na área de tecnologia da informação, processamento de dados, etc. Mas áreas como Biológicas, medicina e ambientais uma faculdade é uma condição básica para se inserir neste mercado. Cada caso é um caso OK.
Este é um site de tecnologia Alexandre…
É claro que uma pessoa precisa ser formada para atuar nesta áreas, nínguem aprende medicina pela internet. Mas ainda assim a experiência ainda vale mais do que o curso em si (embora sem o curso ele nunca vai conseguir a experiência). Ou você toparia ser operado por um recem formado?
E sim, cada caso é um caso… sempre!
Deixe o seu comentário!