Não sabote as suas próprias boas notícias 1

Publicado por Carlos Brando em 18 de Junho de 2008

Tradução do artigo: “Don’t tackle your own good news“.

Quando lançamos o novo Backpack, estávamos para fazer um aumento generalizado dos preços. Fizemos uma grande revisão e sentimos que pelas melhorias valia a pena.

Mas, na última hora, mudamos de idéia e decidimos deixar que os clientes antigos do Backpack continuassem pagando o mesmo valor que já estavam pagando (ou até menos).

Por quê? Nós não queríamos que a emoção do novo lançamento fosse eclipsada  por clientes insatisfeitos com a mudança de preços. Nós temíamos que toda a euforia do lançamento do novo Backpack fosse destruída por reclamações. Por isso, resolvemos não mexer na tabela de preços.

O resultado: um número significativo de pessoas nos agradeceu por mantermos os mesmos preços (ou por baixá-los ainda mais). Mas em todo caso, isto foi uma não-notícia. E, neste caso, uma não-notícia foi uma grande vitória. Deixou o foco das atenções brilhar sobre a boa notícia da vez.

Lição aprendida: não enfrentar as suas próprias boas notícias. A blogosfera pode ser imperdoável. Tome o cuidado de eliminar eventuais aspectos negativos que possam ofuscar o lançamento de uma ou outra boa notícia.

Como lidar com discordâncias? 2

Publicado por Carlos Brando em 11 de Junho de 2008

Tradução do artigo: How do you handle disagreements?

Como vocês lidam com discordâncias? O que acontece quando David e Jamis discordam sobre a melhor forma de implementar algo? O que acontece quando Ryan e Jason discordam sobre a melhor maneira de interagir com um novo recurso? Como é que se evita demoradas discussões sobre (aparentemente) minúsculos pormenores?

Resposta

Felizmente, não levamos adiante todas as discussões por divergências que aparecem. Discordâncias podem ser boas de vez em quando, mas quando acontece muitas vezes têm um impacto negativo na moral da equipe. Nós tentamos tratar a moral do time como o mais importante dos recursos de que dispomos.

Mas quando estamos sem saída (geralmente depois de 10-15 minutos de discussão) eventualmente alguém acaba propondo uma solução. A solução geralmente envolve o mais forte defensor tendo total responsabilidade pela decisão.

Por exemplo, se Jamis defende mais ferrenhamente alguma coisa do que David, Jamis irá “ganhar”, mas ele também vai ser o responsável por qualquer erro ou suporte devido à questões relacionadas com esta decisão. Isto obriga o vencedor a pensar seriamente se ele realmente acredita em sua posição, pelo menos o suficiente para lidar com as eventuais exigências que cairão sobre ele depois do lançamento. Caso ele ache que sim, geralmente aceita o acordo. Caso contrário, o “perdedor” segue com sua idéia sem empecilhos.

Isto é apenas um exemplo. Nem sempre funciona desta maneira, mas já tivemos sucesso agindo assim no passado.

Um aspecto a ter em mente é o seguinte: Certifique-se de qual é o ponto de desacordo. É realmente fácil que argumentos e desacordos incendeiem a discussão rapidamente. Este tipo de desacordo muitas vezes leva duas pessoas à falarem diretamente uma para a outra, esquecendo dos outros. Param de argumentar uns com os outros e passam a argumentar somente entre eles. Nesse ponto a discussão acaba e alguém precisa pegar as rédeas de volta.

Política de comunicação pública 9

Publicado por Carlos Brando em 03 de Junho de 2008

Tradução do artigo “Ask 37signals: Public communications policy?“.

Pergunta:

Estou curioso, qual é política de comunicação pública para os funcionários de sua empresa, especialmente quanto à publicar artigos no blog SvN (Signal vs. Noise). Qualquer um pode ter uma idéia e simplesmente publicar lá? Existe diretrizes escritas? Instruções faladas? Um processo de aprovação?

Isso me interessa, porque eu já vi vários processos furados com respeito a comunicação pública e tenho boas idéias em mente, mas estaria interessado em algo que já está implementado e funcionando.

Resposta:

A nossa política é: Fale! Queremos que nosso pessoal escreva para o SvN, use o Twitter, publiquem artigos no blog de produtos, em geral, apareçam e falem.

Nós não temos um processo institucionalizado de aprovação. Se alguém acha que um artigo tem o conteúdo questionável, pode passá-lo para que eu dê uma olhada nele antes, mas eu não exijo que as pessoas façam isto sempre. Caberá a cada um decidir se alguma coisa exige uma segunda olhada antes de postar.

Quando você confia às pessoas tomarem uma decisão razoável, normalmente elas farão. Quando tudo que uma pessoa escreve deve passar por um processo de aprovação, ela provavelmente escreverá menos e será menos interessante. Não queremos que as pessoas tenham medo de escrever ou medo de pensar.

Quando devo lançar meu produto? 2

Publicado por Carlos Brando em 26 de Maio de 2008

Tradução do artigo “Ask 37signals: When do I launch?“.

A pergunta:

Estou numa encruzilhada com um novo projeto onde eu tenho um conceito que pode ser executado de duas formas. Uma execução é significativamente mais complexa para a construção (e iria demorar mais) do que a outra, mas poderia ser o fator decisivo para o sucesso da aplicação. A outra execução não tem o mesmo conceito, o que torna o desenvolvimento mais rápido, mas eu temo que a falta de profundidade na execução pode deixar o projeto aquém do seu real potencial.

Assumindo que vocês tenham uma visão para aquilo que um produto deve ser antes de começar o desenvolvimento, onde você pode traçar uma linha entre a plena realização da sua visão do que deve ser o software e o mínimo necessário para que o produto funcione. Como é que vocês fazem para escolher quais características definem a “alma” do produto versus as características que não são críticas para uma primeira versão, mas que você pretende implementar mais tarde?

A resposta:

O meu conselho é sempre errar para o mais simples. Quanto mais complexa é a coisa maiores são as chances de que algo dê errado. E as coisas vão dar errado. Você ficará melhor se menos coisas forem mal no início. Erros podem ser esmagadores.

Além disso, seus suposições iniciais sobre o quão critico é uma determinada característica estará na maioria das vezes errada. Você não desejaria gastar todo o seu tempo na frente de algo que “talvez” possa ser o fator decisivo. É melhor que você faça o básico e em seguida vá adicionando funcionalidades. O que você achava que era essencial vai surpreendê-lo.

Por último, quanto mais tempo você levar para desenvolver um produto, menores são as chances de você realmente o lançar. Projetos muito demorados desanimam. As coisas são assim. A vida muda. Tudo tem o seu tempo. As oportunidades demoram para aparecer. Nós acreditamos que é melhor você lançar alguma coisa pequena rapidamente e em seguida construir à partir daí. Você vai saber mais sobre o que o produto deve realmente fazer uma vez que ele se torne algo real.

No que diz respeito à saber exatamente onde é do ponto de corte, isto é mais arte do que ciência e estatísticas. A forma que usamos para fazer isto, normalmente é nos perguntar: “Será que o que temos agora resolve a maior parte dos nossos problemas?” Há sempre mais para acrescentar e muita coisa à aperfeiçoar, mas o que temos agora faz o trabalho razoavelmente bem na maior parte do tempo? Se você estiver usando o seu produto a medida que vai construindo-o, e enquanto você estiver cuidando para não confundir suas necessidades reais com o “Não seria legal se …” então você vai naturalmente obter o “Legal, estamos prontos para lançar” mais cedo. Esta é a hora de lançar seu produto.

Independente da sua escolha, boa sorte. Nós esperamos que você tenha sucesso.

Você não cria uma cultura 2

Publicado por Carlos Brando em 21 de Maio de 2008

Tradução livre: http://www.37signals.com/svn/posts/1022-you-dont-create-a-culture

De vez em quando durante a sessão de perguntas e respostas em uma conferência eu sou questionado com perguntas como: “Como vocês criaram a cultura da 37signals?” ou “O que vocês recomendam fazer para criar uma cultura empresarial aberta e participativa como a de vocês?”

A minha resposta: Você não pode criar uma cultura. Cultura acontece. É o subproduto do comportamento coerente. Se você estimular as pessoas à partilhar, e dar-lhes a liberdade de compartilhar, então o espírito participativo será agregado em sua cultura. Se você demonstrar confiança então o espírito de confiança reinará sobre sua equipe.

Artificial

Culturas artificiais são momentâneas. É um grande trunfo criado à partir de declarações e regras. Elas são óbvias, feias e de plástico. Culturas artificiais são pura maquiagem.

Real

Culturas reais são construídas ao longo do tempo. É o resultado da ação, reação e honestidade. Elas são preciosas, belas e autênticas. Culturas reais são como a beleza natural.

Não perca tempo pensando em como criar uma cultura, basta fazer as coisas certas para você, seus clientes e para sua equipe e ela vai acontecer.